© Gabriela Ruivo Trindade

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© Gabriela Ruivo Trindade

Thursday, 6 April 2017

"Mexeu com uma, mexeu com todas"

O caso de assédio da Globo retrata bem, mas tão bem as dinâmicas em jogo em casos de assédio que parece ter acontecido para nos dar uma lição.
"Não, o cara não representa ameaça."
"É alguém que a gente conhece."
"Não fez por mal, foi uma brincadeira."
etc, etc, etc
Frases típicas saídas da boca de homens (e também de algumas mulheres). Pessoas que se solidarizam com o agressor porque o conhecem, é boa pessoa, e acham que este não seria capaz de fazer realmente mal a alguém.
Pois esse é o problema. A nossa incapacidade de reconhecer que as boas pessoas (aqueles que a gente considera como tal) são capazes de actos condenáveis. Todos nós, aliás.
As frases acima também demonstram a tentativa de minimizar esses actos. Afinal, uns piropos, que mal tem? Se não gostas de ouvir, ignora! Pôs a mão na perna, no braço, no peito, na vagina? Ah, releva! Não deixou marca, pois não?
Pois que fique bem claro: deixou, sim. Deixa marca sempre. TUDO: os olhares, os piropos, as mãos e outras partes do corpo, deixam sempre marca. Na alma, que é onde a marca fica para sempre (as do corpo geralmente desaparecem com o tempo).
Eu tendo a achar que homens e mulheres não diferem tanto assim: em inteligência, em sensibilidade, em capacidade de discernimento. Mas há uma categoria em que divergimos, sim, e esta é a experiência de vida. A socialização. No caso concreto do assédio, a exposição ao mesmo é largamente um problema das mulheres. É claro que também há mulheres que assediam homens, mas o assédio está claramente associado a uma relação de poder e, convenhamos, o número de mulheres em cargos de poder é muito menor do que o de homens. Por isso, se reuníssemos cem homens numa sala, acredito que alguns deles tivessem passado pela experiência de terem sido assediados (por mulheres ou por homens). Mas se reunirmos cem mulheres numa sala, sabe quantas terão histórias de assédio para contar? Quantas? Eu arrisco dizer que, com toda a certeza, as cem terão.
E começa muito cedo: há aquelas que o são em casa, às mãos de pais, ou irmãos mais velhos, ou tios, ou avôs (atenção que também podem ser as mães, irmãs mais velhas, tias, avós. Há casos de mulheres agressoras, mas os números são muito menores). Para essas,  começa cedo de mais. Para as outras, assim que o corpo toma formas, por volta dos 11, 12, 13 anos. Na rua, olhares de lado, assobios, frases ditas ao ouvido, às vezes mãos que nos tocam o corpo. No autocarro, no metro, tipos que se encostam, nos apalpam, quase sempre no meio das enchentes na hora de ponta. É assim que começa e não vai parar nunca. Todas nós sabemos o que é isso, porque tivemos, muito novinhas, de desenvolver uma espécie de armadura, de carapaça para nos protegermos, uma espécie de insensibilidade, que nos permitisse não nos sentirmos demasiado tocadas por este tipo de agressão; que nos permitisse conservar a auto-estima ao abrigo destes "arranhões e pequenos cortes". O que quer dizer que precisámos de ignorar a dor, a humilhação e a revolta que tais actos nos provocaram. Tenho a certeza de que não há uma única mulher no mundo que não tenha, pelo menos, uma história de assédio para contar. E é por isso que estamos fartas. É por isso que precisamos de dizer, a uma voz: deixa marca sim. Magoa sim. Enoja. Humilha. E chega. Chega de assédio. Mexeu com uma, mexeu com todas.

#ChegaDeAssédio
#MexeuComUmaMexeuComTodas

Wednesday, 22 February 2017

Fados Nunca Dantes Navegados


O projecto Fados Nunca Dantes Navegados, em co-autoria com a Sandra Marques, e que reúne fotografia e ficção narrativa, foi publicado em parte da Revista Egoísta de Dezembro e encontra-se agora disponível online, na íntegra. Aceda ao site clicando aqui: https://gabrielaruivo1.wixsite.com/fados

Friday, 14 October 2016

Poetas na Diáspora - Antologia


A I Antologia de Poetas na Diáspora (Oxalá Editora - Autores da Diáspora), contemplando 21 poetas de vários países, chegará em breve a algumas livrarias em Portugal, e já se encontra disponível aqui.

Monday, 10 October 2016

Grandes e pequenos idiotas

Assim como há grandes e pequenos filhos da puta, também há grandes e pequenos idiotas. Os pequenos idiotas não trazem grande mossa ao mundo; já os grandes idiotas não podem passar despercebidos. Não estando nunca contentes com o seu tamanho, esforçam-se constantemente por ser maiores e melhores idiotas. Claro que se acham o máximo, e claro que os outros é que são os idiotas, na sua perspectiva. As suas opiniões deveriam até ser emolduradas a ouro e penduradas nas paredes. Que digo eu? Deviam erguer-se monumentos nacionais às suas ideias brilhantes e visionárias. O grande drama do grande idiota é precisamente este: ninguém parece reparar que só do seu cérebro milagroso é que brotam pérolas dignas desse nome, que só da sua mente genial é que se eleva, qual ave rara e perfeita, a verdade absoluta. Que fazer, então, para que o mundo repare neles? Aqui começa a grande luta do grande idiota. Há que embandeirar a maravilhosa e prodigiosa obra da natureza que transportam nos seus crânios. E, claro, como grandes idiotas que são, só encontram uma maneira de o fazer: derrotando todos os edifícios ideológicos diferentes do seu; as ideias e opiniões que não coincidem com as suas, as teorias que abarcam diferentes pontos de vista, tudo isso é reduzido a pó, espezinhado, enxovalhado, calcado com ambos os pés, e cuspido em cima. Mas aqui os grandes idiotas cometem um erro crasso (como não poderia deixar de ser, dada a sua condição de grandes idiotas): em lugar das ideias alheias, eles atacam as pessoas que têm essas ideias. Em vez de discutir e argumentar, eles apenas sabem ofender e humilhar verbalmente quem manifesta uma opinião contrária. E neste ataque pessoal tudo vale, o objectivo é só um: denegrir e humilhar o outro. Estratégia que revela bem o quão pobres de espírito estes grandes idiotas realmente são.

Outra das características dos grandes idiotas é que nunca dão o braço a torcer. Recuar, pedir desculpa? Que é isso? Que humilhação para suas excelências! Aliás, eles NUNCA se enganam. NUNCA se excedem, NUNCA exageram, NUNCA fazem nada errado. Ou não fossem eles donos e senhores da VERDADE ÚNICA E INQUESTIONÁVEL. Têm uma missão na terra, que é a de combater eficaz e ferozmente a imbecilidade dominante (a dos outros, como é evidente), responsável, segundo eles, pelos grandes males da humanidade. E nesse combate levam tudo à frente.

Desgraçadamente, o seu discurso assemelha-se perigosamente ao de um presidente de um país, que também ele, querendo erradicar o mal e a podridão da face da terra para assim dar lugar ao florescimento da, segundo ele, raça superior, usou um povo inteiro como bode expiatório, com o resultado que todos nós tão bem conhecemos. O perigo para a humanidade que os grandes idiotas representam torna-se claro, precisamente, quando eles chegam (ou ficam prestes a chegar) a altos cargos de poder, onde têm nas mãos as armas para decidir sobre a vida de milhões de pessoas.

Wednesday, 22 June 2016

Apaixonei-me por um livro

23 de Março de 2009
O meu livro muito amado: corpo delicado, mãos pequenas, unhas roídas, olhar doce e cabelos fartos, negros, que lhe caem em cachos até ao pescoço. Eu vivia para aquele livro: esperava pelas idas ao teatro como se apenas ali, naquele espaço mágico, me fosse possível respirar. Naquela altura desconhecia que a rapariga que eu amava era um livro, assim como todas as pessoas que eu conhecia. Só o soube depois de morto. Que fosse preciso morrer para me aperceber de uma coisa tão óbvia é espantoso. Serão os vivos todos cegos como eu era?

As pessoas são livros porque têm muitas páginas. Quando olhamos alguém vemos apenas a página de rosto, tal como quando olhamos um livro. Ao abri-lo, outras páginas se revelam; porém, só uma de cada vez: há sempre aquelas que permanecem ocultas. O mesmo se passa com as pessoas.

Os livros que amamos, aqueles que nos conquistam, são os que lemos até ao fim, vencidos; os mesmos que, chegados à última página, não queremos que terminem e continuamos, em delírio, a folheá-los, numa teimosia que nos transforma, de súbito, em escritores-fantasma.

Os livros, tal como as pessoas, não podem ser abertos de qualquer maneira. Manusear um livro exige delicadeza. As pessoas recuam se as lermos sem o mínimo de cuidado. Antes de abrir um livro, o toque é essencial. A capa, a lombada, a folha e só depois o toque da palavra. 

7 de Agosto de 2001
Antes de eu morrer, morava em Fajã da Ovelha com os meus avós maternos. Isto depois do acidente de viação que vitimou os meus pais, tinha eu apenas cinco anos. O meu avô paterno, que já nessa altura era viúvo, queria que eu fosse viver com ele para o Funchal e tentou convencer o meu avô materno, usando argumentos que visavam a minha educação e as oportunidades que uma vida citadina, segundo ele, ofereciam; este, no entanto, não se deixou levar na conversa, frisando que em Fajã da Ovelha também havia escola; além disso, dizia ele, apoiado pela minha avó, uma criança precisa, acima de tudo, de uma mãe e, na falta desta, uma avó desempenha melhor do que ninguém esse papel.

Assim foi. Eu vivia com os pais da minha mãe numa rua inclinada, onde os carros não chegavam e aos sábados o meu avô, pai do meu pai, estacionava o Ford Mondeo ao pé da Igreja e vinha buscar-me. A Igreja era branca e desaparecia nos dias de nevoeiro. Uma vez no Funchal, almoçávamos sempre no mesmo restaurante, íamos ao teatro e dávamos umas voltas pelo porto e a marina se estava bom tempo. Eu gostava de ouvir o grito dos cruzeiros que abandonavam o porto. As prateleiras da casa do meu avô estavam repletas de livros. Todos os sábados ele me dava um, acrescentando que os livros, tal como os cruzeiros, podiam levar-me a ver o mundo.

20 de Fevereiro de 2010
Naquele sábado a enxurrada apanhou-nos na estrada. Foi tão rápido que não me recordo. Estava sentado no lugar do morto, ao lado do meu avô e olhava a chuva que caía em cascata no vidro enquanto os limpa-pára brisas, no máximo, executavam a sua dança mecânica. No segundo a seguir já não estava ali. Uma árvore caída, arrastada na fúria das águas, embateu no carro. Fomos varridos ribanceira abaixo até ao mar.

O lamaçal invadiu o Teatro Municipal Baltazar Dias, o mesmo onde tantas vezes assistíramos a espectáculos e concertos de música. Era uma imagem desoladora. Eu e o meu avô pairámos por ali dia e noite, completamente desconsolados. Aquela passou a ser a nossa morada. Os mortos vivem nos sítios onde foram felizes.

17 de Junho de 2008
Foi neste teatro que conheci o livro por quem me apaixonei. Ela vinha com a mãe e a irmã e sentavam-se no camarote ao lado da nosso. Durante o espectáculo, eu imaginava os olhos dela pousados nas mesmas coisas que os meus e isso era o mais parecido com uma carícia a que me atrevia. O mesmo acontecia à noite quando, ao mirar a lua, acreditava que ela a olhava também, naquele preciso instante e só isso era suficiente para me sentir imensamente feliz.

8 de Abril de 2009
Às vezes penso que comecei a amá-la quando a vi chorar numa peça de teatro mais dramática. As lágrimas corriam-lhe pelo rosto e toda ela era um silêncio profundo. Desconfio de que ninguém deu por aquelas lágrimas e eu só fui testemunha porque estava mais interessado em observá-la pelo canto do olho do que na cena que se desenrolava no palco. De outras vezes creio que o meu coração ficou cativo numa noite em que veio uma pianista famosa dar um concerto. Não me lembro do nome da pianista mas sim da música que lhe voava dos dedos e do modo como, arrebatado, levitei pela sala. A sensação era quase a mesma de agora, depois de morto.

As luzes no palco completam a magia: notas de um piano, voz, uma silhueta, cabelos incendiados, rosto oculto e desvendado no jogo de sombras e contraluz; a voz que respira em nós; o som da guitarra, do acordeão; um rio de sons e a beleza de um perfil, de uma boca; a beleza nua do mundo; a beleza de uma tragédia sem o peso da tragédia; o peso da leveza, o peso da ternura. 

13 de Janeiro de 2016
O meu coração, apesar de parado há seis anos, continua a sobressaltar-se de cada vez que ela vem ao teatro. Na minha condição já não preciso de abrir os livros para os ler. Sei que moro nas suas páginas juntamente com a dor da minha ausência. Sofre de saudade crónica. O que lhe custa mais, eu sei, é não me ter visto uma última vez. Como dizer-lhe que não devemos nunca despedir-nos de um grande amor ou de uma paixão do tamanho da própria vida? O que teria sido de mim se soubesse que ia morrer naquele segundo exacto, ainda que um escasso segundo antes?

11 de Abril de 2016
De há uns tempos para cá os escritores vêm ao teatro todos os anos. Vêm também jornalistas entrevistar os escritores. Falam de literatura e de arte. Vão às escolas, levam livros às nossas crianças, lêem-lhes histórias. Ela, o meu livro mais amado, está cá sempre, com a mãe e a irmã, a assistir ao festival literário. No camarote que eu e o meu avô ocupávamos senta-se agora um outro rapaz com o pai.

Vi-lhes nascer o amor em pequenos gestos. Vi-o crescer. Vi-os abandonar os camarotes e sentarem-se lado a lado na plateia. Vi-os conversar, rir, perder o olhar um no outro como só os apaixonados são capazes. Vi-os escutar as conversas dos escritores de mãos dadas, ouvir música de olhos fechados e cantar na escuridão dos concertos como se gritassem o nome um do outro em surdina. Os mortos, felizmente, não sentem ciúmes.


16 de Abril de 2016
Os escritores trazem palavras e vida a este teatro. Saberão o quanto iluminam as ruas? São uma espécie de família empenhada em expandir a sua fé no poder da literatura. Os escritores acreditam que os livros nos salvam. Desconhecem, contudo, que as pessoas são livros; ou melhor, sabem-no melhor do que ninguém mas pensam que tal ideia é uma metáfora. Estão convencidos, aliás, de que a vida é uma alegoria. E que lhes cabe a si descodificar o mundo e como tal fazem um esforço considerável para tornar as suas palavras, a sua linguagem muito própria, inteligível para o comum dos mortais. As pessoas, porém, são livros, todas elas; e não no sentido metafórico. Cada uma com uma linguagem única. A diferença entre elas e os escritores é que os últimos insistem em traduzir a multiplicidade de páginas que trazem dentro, sofrem de uma compulsão comunicativa, as suas palavras precisam de encontrar outras e definham se não vêem a própria luz disseminada pela humanidade inteira, ainda que seja no silêncio que melhor se escutam e ganham sentido. Já as primeiras, guardam para si as suas histórias e contentam-se com a reclusão que o anonimato acarreta: são os diários esquecidos dentro de gavetas ou os livros que nunca se escrevem por receio ou pudor.


Depois de seis dias a ouvir escritores discorrer sobre falsidade e verdade na literatura e no cinema, sobre direitos humanos, alteridade, religião, biografia e muito mais, estou capaz de escrever um livro. Os defuntos perdem as páginas assim como as árvores perdem as folhas. A morte é o inverno da existência. Eu, todavia, revolto-me contra a morte, não me resigno à ideia de nunca mais poder tocar o meu livro amado. Conhecer-lhe as páginas de cor não basta. O amor exige o bater do coração que já não me mora no peito. Por isso reescrevo a minha história: para que venha a primavera e com ela, novas páginas onde possa reinventar-me e, quem sabe, partir finalmente num desses cruzeiros que deixam para trás um ronco surdo pairando nas nuvens.

(texto publicado na rubrica Diário do Jornal de Letras de 8 a 21 de Junho de 2016)

Tuesday, 7 June 2016

Apaixonei-me por um livro, amanhã no Jornal de Letras

Um Festival Literário não se esgota nas conferências, conversas e convívio entre escritores, organizadores e jornalistas. Quando, no dia 16 de Abril, embarquei no Aeroporto do Funchal, de regresso a Londres, trazia na mala um punhado de estórias que as pessoas e os lugares que visitei me foram contando ao longo daqueles cinco dias. Fui até à Fajã da Ovelha com o Duarte, a Manuela e o Francisco, onde nos perdemos no nevoeiro à procura da escola e não conseguíamos ver a Igreja que toda a gente nos indicava como ponto de referência. Chegámos a desconfiar de que, por aquelas bandas, se chamava Igreja a locais mais prosaicos de práticas de rituais de convívio e consumo de bebidas espirituosas. Ouvi relatos sobre as cheias de 2010 e pressenti o horror da tragédia no relevo acidentado da ilha, nas ribanceiras e escarpas que se abatem na ferocidade do mar, na voz de quem me falava de algo que parecia ter sucedido, não há seis anos, mas ontem, porque a dor estanca o correr do tempo e não deixa enterrar os mortos. Caminhei pelo porto e a marina, onde os cruzeiros se erguem como gigantes réplicas, não de arranha-céus, mas de arranha-mares, e pisei os patamares ajardinados que se construíram por cima do morro de destroços que as enxurradas arrastaram até ali. A belíssima pintura do tecto do Teatro Baltazar Dias, assim como as paredes, os camarotes e os estofos de veludo escarlate, também me sussurraram vultos, memórias, pedaços de vidas, que me limitei a guardar no fundo dos bolsos. No concerto do Jorge Palma, aquele espaço ganhou outra dimensão ao som das vozes, da música, do ritmo, das luzes. E a magia aconteceu. O resultado sai amanhã, em texto, na rubrica Diário do Jornal de Letras: Apaixonei-me Por Um Livro. Façam o favor de ler.

Sunday, 29 May 2016

Livros emprestados

Caí no erro de emprestar o Manual de Sobrevivência para Poetas, Sonhadores e Outras Criaturas Aladas e nunca mais voltei a vê-lo. Encontrei-o na biblioteca do meu avô, uma tiragem de 1899 de uma editora a que não se conseguia ler o nome, autor anónimo. Certa vez, antes de o ter emprestado, encontrei um exemplar gémeo num alfarrabista nas Escadinhas do Duque, em que a palavra Aladas do título fora substituída por Aluadas, de forma que desconheço qual o título original. O livro destina-se a ajudar quem sofre de ausências recorrentes (a psiquiatria contemporânea chama-lhe episódios de despersonalização e/ou desrealização) e nesse campo era-me particularmente vantajoso, uma vez que sofro desse mal desde tenra idade. No dia em que o terminei, almocei com a minha amiga Nora e, enquanto subia momentaneamente ao cimo do carvalho que avistava da janela, ela pediu-mo emprestado. Quando voltei a mim já era tarde.

(escrevi este texto a pedido do Nuno Costa Santos, para um artigo no Observador: http://observador.pt/especiais/aquele-livro-emprestado-ainda-vai-outra-vez/)